Aqui temos uma breve história.

Experimente assim que acordar de um sonho, anotar o que se lembra dele. Isto é um exercício. Exercício este, passado pela minha irmã. A sua terapeuta o utilizava para enriquecer as sessões entre as duas. 

Nas sessões,os sonhos, transcritos, eram interpretados. Tenho certeza que se esta terapeuta tivesse lido meus sonhos, de um tempo atrás, não muito distante, ela teria material para uma enciclopédia surreal.  

Pois bem, acabei de despertar e vou escrever o que me lembro do sonho que há pouco tive. Escreverei aqui, direto, sem intermédio de um rascunho. 

O mais interessante é que a medida que você escreve, mais lembranças surgem. E a medida que pratica isso, durante as noites que desperta, com os sonhos prontos para virarem textos, naturalmente vai treinando a memória a fornecer mais detalhes dos sonhos. E muito em breve conseguirá, durante o sonho, se recordar de não esquecer certa parte, pois será importante ao posterior relato. 

Aqui temos uma breve história, acabo de sonhar com uma mulher, estava toda serelepe e sorria como uma criança. Ria, na verdade. Estava muito feliz e não demonstrava nenhuma preocupação. Namorava um cara de sua idade, jovem e gostava muito dele: percebia no olhar. Era uma relação pura, a dos dois. Fiquei com ciúmes (ainda não tenho maturidade para muitas coisas) mas compreendi como aquilo era bom para eles. Percebi através das atitudes, com ele, como se gostavam. Os olhares estavam radiantes. Só me aproximei uma vez, estava a observar de uma certa distância, quando sujei a perna com algo. Ela veio, por algum motivo, me ajudar a limpar, nesse único momento, o namorado ficou muito triste. 


Este foi o sonho. Eu era um observador de meu sonho. Acreditem, todos os sentimentos, deste sonho, foram transmitidos através dos olhos. Apenas os meus que não, eu os sentia.


Reinado de um único súdito

Seus territórios se expandiram de forma avassaladora. 
De tal forma que, nem ele, o rei, poderia ter planejado. 
Não conquistava através de nenhum ato violento nem tão pouco destruídor.
A expansão de seus domínios se dava de forma consensual. 
Ganhava espaço pela demonstração de suas intenções. E atos de pura sabedoria. 

Era também, seu único e fiel súdito. 

Sua Rainha, a mais linda, outrora princesa, parece ser a maior responsável pela expansão de seus domínios. 
De uma clareza, inteligência e elegância, raras. 
Ao chegar, ao reinado de um único súdito,  trouxe consigo diversas experiências vindas de outras terras e momentos.

Você está no mesmo lugar.

Em grande parte dos últimos meses passei a me dedicar ao nada. Já se dedicaram ao nada? Vale a pena. O tempo passa e você está no mesmo lugar. É como se fosse uma viagem no tempo, você se movimenta e termina no mesmo momento. Mas a mente muda.

O Estivador.

Cruzando uma ponte, avistei o tempo. Reparei que parecia um estivador, que a todo ritmo está a descarregar mais um navio que chega ao porto. Basta observar, ficar olhando. Preste realmente atenção.
Sentei no exato ponto médio entre o navio e o depósito onde o estivador deposita todas as coisas  que deve reconhecer, carregar e armazenar. Hoje, o observo de cima, imune a suas ações.
Aproveite o momento, e observe-o comigo.
Enquanto observamos, não sabemos qual próxima coisa ele trará. A medida que vemos, nos acostumamos com aquilo, quando muito próximo sentimos que somos parte daquilo e quando se afasta, sentimos que algo se foi. O tempo carrega tantas coisas consigo. O tempo modifica.

O acampamento a uma longa distância.

Vem, vamos andar um pouco. Me dê sua mão. Confie em mim. Cuidarei de você. E assim que a primeira rocha aparecer no caminho, irei escalar, pois sei como fazer, e te darei a mão, lá de cima, para que possas subir.

E assim continuaremos até o primeiro caudaloso rio. Nade, por favor, e leve a corda até a outra margem, para que eu possa, também, atravessar. Você sabe nadar muito melhor do que eu.

Sim, acho que tens razão, vamos andar mais. Tome minha mão.

Que lugares lindos estamos visitando. A sensação de liberdade quando compartilhada é incrível.

Agora que vemos o acampamento a uma longa distância, um de nós decidiu seguir por uma trilha diferente. No entanto apenas um de nós vai se perder tentando se encontrar.

Um irá sem dúvida alcançar o que avistou, mesmo que de muito longe. O outro, ao que parece, nunca reaparecerá.

Não vai adiantar berrar.

Como é bom se apaixonar
Só atenção ao se empenhar
Afinal você não quer se machucar
Por a alguém se dedicar

Saiba que ao se entregar
Sem pestanejar
Mesmo sem cogitar
Pode vir a se enganar

E quando o momento chegar
Aquele em que a verdade a tona alcançar
Não vai adiantar berrar
Muito menos chorar

Nem pense em ficar
Trate de se movimentar
Não é momento de teimar
E sim de aceitar

No entanto terás de esperar
Sua mente se acalmar
O coração não mais falar
E todas feridas fechar

Mas isso só o tempo pode tratar
Ele sabe como tudo amenizar
Àqueles sentimentos irá abandonar
Para que possas tudo recomeçar

Ao se recuperar
Naturalmente irás querer reecontrar
Alguém em que possa confiar
Com a plena certeza de como é bom se apaixonar

Última bifurcação.

Chegou o dia, as sirenes de aviso tocaram e desta vez não é nenhum treinamento. Tudo que aprendeu, deverá, neste momento, ser utilizado.

Saia correndo o mais rápido que puder. Não se preocupe em pegar nada que possua. Poucas destas coisas servirão enquanto estiver em seu mais rigoroso e veloz ritmo.

Somente olhe para trás para se certificar que escolheu o lado certo ao passar pela última bifurcação de seu caminho.

Quanto todas as coisas que deixou para trás, já te serviram um dia e estarão sempre contigo pois deixaram suas impressões, suas marcas. Elas atenderam a um antigo propósito... cumpriram seus papéis.

Chegarás, talvez, exausto mas a tempo de encontrar as portas abertas. Entre. Tenho certeza que, a partir do momento que elas se fecharem, a viagem será confortável e reconfortante.

Portanto, corra.